BLOG DO LEONIDES

ADMINISTRAÇÃO FATOR DE DESENVOLVIMENTO - I

Quarta-feira, 24 de Agosto de 2016

Professor Leonides Alves[1]

 

A abordagem do desenvolvimento tem sido realizada considerando, fundamentalmente, os aspectos econômicos, como se o desenvolvimento pudesse ser entendido, apenas, como uma decorrência de investimentos públicos ou privados. Essa distorção cria dificuldades para a operacionalização de programas e projetos porque, na verdade, na execução, aspectos políticos, institucionais, organizacionais e administrativos são fundamentais para que se alcance os objetivos das programações e seja possível atingir as metas nos prazos fixados.

 

As ações programáticas, ao não considerarem os aspectos globais da sociedade, não criam condições para execução dos programas e projetos, fato comprovável ao se analisar os baixos índices de execução das programações, principalmente, governamentais.

 

O Instituto Nacional de Administração Para o Desenvolvimento – INAD, criado com o objetivo síntese de contribuir para operacionalização de projetos de desenvolvimento, concentra sua colaboração objetivando transformar a administração em um efetivo instrumento para execução de programas e projetos, desenvolvendo, para isso, uma metodologia capaz de agilizar a operacionalização de programações, fazendo com que a administração seja um verdadeiro fator de desenvolvimento.

 

Quaisquer análises, mesmo superficiais, evidenciam que os índices de execução dos programas e projetos apresentam baixos percentuais, quando comparados com os seus respectivos cronogramas físicos e financeiros, permitindo conclusões, segundo as quais, o problema reside na máquina operacional que não apresenta a agilidade requerida pelo processo.

 

Causas Históricas/Culturais

 

O planejamento, no Brasil, ganhou força em meados da década de 50, quando as técnicas de diagnósticos, prognósticos, estabelecimento de objetivos, fixação de metas, estimativa de recursos, definição de mecanismos operacionais, definição de estratégias, bem como técnicas de acompanhamento, controle e avaliação, passaram a ser adotadas de forma crescente, surgindo no País planejadores em condições de elaborar programas e projetos dentro de concepções com base racional.

 

Os estudos demonstram que o planejamento, na sua evolução, apresentou dois tipos básicos de distorções: não considerar as variáveis globais da sociedade e programar como se o problema fosse exclusivamente econômico, ou seja, mobilizar recursos para realizar investimentos, objetivando aumentar o Produto Interno Bruto - PIB.

 

Planejamento Substantivo e Planejamento Adjetivo

 

Inicialmente, é fundamental fazer uma diferença entre Planejamento Substantivo - O QUE FAZER e Planejamento Adjetivo - O COMO FAZER. Esses dois tipos de instrumentos estão sendo utilizados em momentos diferentes, pois, primeiramente, planos, programas e projetos são elaborados com metodologia centrada no Planejamento Substantivo, ou seja, O QUE FAZER, para, em um segundo momento, serem definidos os mecanismos operacionais, fato que provoca um grande descompasso entre elaborar e executar, gerando os baixos índices de execução, considerando que as modificações indispensáveis à execução são planejadas e executadas na fase de operacionalização.

 

Os governantes ou dirigentes, públicos e privados, precisam tomar consciência da necessidade de fazer coincidir a etapa da elaboração com as definições relacionadas a todos os segmentos vinculados à programação e, simultaneamente, promover ações para definir a operação na fase de elaboração dos programas e projetos.

 

O Planejamento Adjetivo, ou, O COMO FAZER, não apresentou o mesmo ritmo de desenvolvimento do substantivo. Por outro lado, os administradores responsáveis pela execução nem sempre participam da elaboração dos planos, e os recebem prontos e aprovados, partindo, então, após a elaboração, para a etapa de execução.

 

O Brasil possui grande número de profissionais especializados nas técnicas de Planejamento Substantivo, ou O QUE FAZER, com formação tecnológica, mestrados e doutorados, em condições de elaborar planos, programas e projetos, teoricamente consistentes, entretanto, em geral, apresentam poucas condições de operacionalização, por não considerarem o sistema de relações sociais que envolve a ação planejadora e, principalmente, os aspectos políticos, legais, institucionais e administrativos, instrumentos essenciais ao processo de execução.

 

Na verdade, embora as técnicas de Planejamento Substantivo tenham evoluído significativamente, capazes de serem absorvidas por várias categorias profissionais, facilitando as análises e projeções DO QUE FAZER, o mesmo não ocorreu em relação ao Planejamento Adjetivo, ou O COMO FAZER, considerando que os profissionais de administração, com formação acadêmica, somente surgiram a partir do início da década de 50, com a criação, pela Fundação Getúlio Vargas - FGV, da Escola Brasileira de Administração Pública - EBAP, que passou a ministrar cursos superiores de administração, com base acadêmica, em condições de analisar a máquina administrativa pública e sugerir alternativas de modernização.

 

Os administradores, em um primeiro momento, tiveram uma formação de racionalizadores de normas, procedimentos e fluxos institucionais e administrativos, visando a redução dos processos, sem uma abordagem de antecipação, ou seja, de planejamento.

 

Atualmente, fica cada vez mais evidente que na dicotomia entre as etapas de concepção, elaboração e aprovação de programas e projetos com a etapa de execução reside a incapacidade operacional para implementar os programas e projetos, provocando os baixos índices de execução dos programas, com substanciais prejuízos para a sociedade.

 

No artigo seguinte (II) serão analisados aspectos essenciais, de natureza metodológica, que poderão contribuir para transformar a administração em um verdadeiro instrumento de desenvolvimento e, não, como um fator responsável pelos reduzidos índices de execução dos programas e projetos.



[1] O autor possui Curso Superior de Administração pela Fundação Getúlio Vargas – Rio de Janeiro; Curso de Direito – UFPE; Técnico em Desenvolvimento pela Comissão Econômica para a América Latina – CEPAL; tendo, na SUDENE, sido Diretor de Planejamento Regional, Diretor de Cooperação Internacional e Superintendente Adjunto. Nas Nações Unidas foi Consultor de Planejamento Regional e Relações Intergovernamentais – Venezuela e Peru e, atualmente, Presidente do INAD.


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