BLOG DO LEONIDES

ADMINISTRAÇÃO FATOR DE DESENVOLVIMENTO - II

Quarta-feira, 31 de Agosto de 2016

 

Professor Leonides Alves[1]

 

 

As análises sobre a execução dos programas governamentais evidenciam baixos índices de operacionalização, mesmo quando existem recursos disponíveis, numa clara demonstração da existência de variáveis relevantes para o cumprimento dos cronogramas físicos que não foram consideradas no processo de planejamento e, em consequência, transformam-se em fatores impeditivos da própria execução.

 

A Administração afigura-se como um dos principais instrumentos, responsável pelas dificuldades operacionais, havendo necessidade de identificar alternativas que transformem a administração em um verdadeiro instrumento agilizador do processo de desenvolvimento e, não, um fator impeditivo da operacionalização.

 

 

Soluções Possíveis

 

O INAD, com base nos seus estudos, entende que será viável acelerar a execução dos programas e projetos, na medida em que se consiga aproximar as etapas de concepção/elaboração com a de execução. Ademais há necessidade de realizar um amplo treinamento dos administradores, objetivando instrumentalizar a categoria com ferramentas de planejamento, ou seja, de antecipação, nos campos político, legal, institucional, recursos humanos, acompanhamento, controle e avaliação.

 

Na busca de aproximar a fase da concepção/elaboração, da etapa de execução, há necessidade de considerar, na elaboração, variáveis relevantes, que precisam ser equacionadas na etapa de elaboração dos programas e projetos, o que poderá ser alcançado pela criação de equipes interdisciplinares, com a participação de categorias profissionais, diretamente relacionadas com os objetivos e metas dos programas, equipes essas, que deverão estar participando de todo o processo de elaboração dos programas e projetos. Dentre as variáveis que precisam ser diagnosticadas e priorizadas, pode-se destacar:

 

A) Políticas - Política deve ser entendida como um processo capaz de obter decisões representativas, passíveis de execução, pela legitimidade do próprio processo. Torna-se fundamental identificar o conjunto de forças que atuam, no momento da concepção dos programas e quais as tendências políticas para o respectivo período de implementação, para ser possível definir objetivos e metas em função da obtenção das decisões que assegurem a execução ou quais as medidas a serem adotadas para introduzir modificações no sistema vigente.

 

B) Legais - Os programas e projetos, pelas suas características inovadoras e transformadoras da realidade socioeconômica, tendem a exigir modificações na legislação vigente, que poderá significar revogações de leis, decretos e normas ou mesmo proposições de nova legislação, condição essencial para operacionalização do programado. Caso essas providências sejam adotadas na fase de programação, os projetos de lei ou elaboração de decretos devem ser adotados nessa fase, para ser viável o início da execução dos programas, logo após suas respectivas aprovações.

 

C) Institucionais - As instituições são organizações, estruturadas sob a forma de pessoas jurídicas, de direito público ou privado, que através das suas próprias estruturas, mantém intensas relações com as realidades nas quais estão inseridas, encontrando permanentes resultantes orientadas para o interesse público ou privado, conforme os seus respectivos objetivos e metas. Na medida em que as equipes iniciam o planejamento, os administradores, especializados nas técnicas de programação, iniciam diagnósticos para identificar se as organizações existentes possuem condições de executar a programação. Os profissionais examinarão a necessidade de analisar a situação legal da entidade a ser responsabilizada pela operação, grau de flexibilidade operacional, face as exigências do programa, estrutura organizacional, posição hierárquica da organização, relações interinstitucionais, relações convergentes e divergentes, hipóteses de modificações por leis ou decretos e suas respectivas posições face ao meio ambiente socioeconômico.

 

D) Recursos Humanos - Na fase de elaboração dos programas e projetos, torna-se imprescindível analisar a situação do pessoal, tanto em quantidade, como em qualidade, correlacionando os resultados com os objetivos e metas do programa. Definições de programas de recrutamento, seleção e treinamento precisam ser estruturadas nessa fase para que fique assegurada a operacionalização, tendo em vista que as providências serão adotadas por antecipação.

 

E) Acompanhamento e Controle – O acompanhamento, entendido como registro dos fatos previstos nos cronogramas físicos e financeiros, como também as técnicas de controle capazes de permitir a introdução de modificações no processo operacional, ajustando os objetivos e metas, são fundamentais para assegurar a execução dos programas.

 

F) Avaliação - Representada pela análise das repercussões do programa sobre a realidade na qual estão sendo implementados os projetos, torna-se essencial ser considerada e definida na etapa do Planejamento Substantivo.

 

O INAD trabalha para difundir a metodologia e as variáveis, sumariamente acima descritas, contribuindo para agilizar a execução de programas e projetos de desenvolvimento, dentro de uma programação que recoloque o Brasil como uma Nação que utiliza com eficácia e efetividade escassos recursos disponíveis.

 

A utilização da sistemática acima mencionada poderá contribuir para transformar os recursos disponíveis em verdadeiros fatores de desenvolvimento, podendo ser possível afirmar:

 

"O grande problema dos Países em Desenvolvimento, inclusive o Brasil, não é, somente, a escassez de recursos e, sim, também, a incapacidade de utilizar, em tempo hábil, com eficiência, eficácia e efetividade, escassos recursos disponíveis".


[1] O autor possui Curso Superior de Administração pela Fundação Getúlio Vargas – Rio de Janeiro; Curso de Direito – UFPE; Desenvolvimento Econômico pela Comissão Econômica para a América Latina – CEPAL; tendo, na SUDENE, sido Diretor de Planejamento Regional, Diretor de Cooperação Internacional e Superintendente Adjunto. Nas Nações Unidas foi Consultor de Planejamento Regional e Relações Intergovernamentais – Venezuela e Peru e, atualmente, é Presidente do Instituto Nacional de Administração Para o Desenvolvimento - INAD.


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