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Integração do São Francisco com as Bacias do Nordeste Setentrional (No. 1, Série Transposição do São Francisco)

Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

O Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias do Nordeste Setentrional, popularmente denominado transposição do Rio São Francisco, após um longo período de estudos técnicos iniciou o processo de execução. O Projeto afigura-se como de grande importância para o Nordeste do Brasil, embora não se caracterize isoladamente como responsável pelo desenvolvimento da Região, considerando que o seu objetivo principal é assegurar água para 12 milhões de habitantes, que nos momentos de estiagens prolongadas ficam sem água, inclusive, para beber.
 
Na verdade trata-se de um mega projeto cuja tecnologia está devidamente testada, porque vários países realizaram programas de interligações de bacias, fato que permite assegurar que não existem dúvidas quanto à disponibilidade de técnicas para esse tipo de empreendimento.
 
Os questionamentos que poderiam surgir seriam quanto: concepção do projeto; impactos sobre o meio ambiente; recursos para a implantação; mecanismos de execução e, também, os sistemas operacionais capazes de assegurar pleno funcionamento do programa.
 
Concepção
 
O Projeto foi concebido com o objetivo de assegurar água para 12 milhões de habitantes no Nordeste, através da captação de água do Rio São Francisco, água essa a ser distribuída por dois canais básicos: Eixos Norte e Leste. Os responsáveis pela concepção do Projeto ao realizarem as simulações técnicas concluíram que a captação de 26,4m3/s não criará quaisquer dificuldades para o Rio, considerando que sua vazão firme é de 1.850 m3/s e, 26,4m3/s representam apenas 1,4% desse montante.
 
Destaque-se que o Projeto é complexo, por envolver impactos no meio ambiente, que foram devidamente considerados pelos projetistas, e obras de engenharia representadas por reservatórios, estações de bombeamento para elevação da água, canais, aquedutos bem como estações intermediárias de distribuição, além de suprimento energético para operação do sistema.
 
Os canais de distribuição denominados Eixo Norte, com 400 km, e Eixo Leste, com 220 km, foram concebidos para transportarem 99m3/s e 28m3/s, respectivamente, quando o Rio estiver na sua vazão máxima, entretanto normalmente transportarão 16,4m3/s, no caso do Eixo Norte, e 10m3/s no Eixo Leste, considerando a vazão de apenas 1.850 m3/s. Os canais serão sobre a terra, estruturados sob a forma trapezoidal, impermeabilizados na parte interior e recobertos com concreto. Na travessia de rios e riachos serão utilizados aquedutos e construídos túneis para evitar grandes elevações. A distribuição será por gravidade, excluída a hipótese das estações de bombeamento – 3 no Eixo Norte, com elevação total de 180m e 6 no Eixo Leste, com elevação total de 300m, distribuição essa que utilizará 30 barragens para desempenharem a função de reservatórios de compensação, que continuarão distribuindo a água quando as estações de bombeamento estiverem desligadas.
 
A água transportada será destinada para bacias receptoras no Nordeste Setentrional dentre as quais pode-se destacar: Atalho e Castanhão, no Ceará; Armando Ribeiro Gonçalves, Santa Cruz e Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte; Engenheiro Ávidos e São Gonçalo, na Paraíba e Chapéu e Entre Monte (através de uma canal derivativo de 110km), em Pernambuco, todos esses reservatórios receberão água do Eixo Norte cuja captação ocorrerá em Cabrobó – PE, do lago de Sobradinho. O Eixo Leste cuja captação ocorrerá em Floresta – PE, do lago de Itaparica, suprirá os reservatórios Poço da Cruz, em Pernambuco e Epitácio Pessoa (Boqueirão), na Paraíba. O Projeto prevê ainda um canal derivado do Eixo Leste na extensão de 70 km até a bacia do Rio Ipojuca, para atender a região agreste de Pernambuco.
 
Um Projeto dessa natureza não poderia ser desenvolvido sem um amplo programa voltado para a revitalização do Rio, recuperação da sua navegabilidade e, também, a realização de uma ação efetiva no sentido de evitar fluxos poluidores decorrentes do saneamento das cidades.
 
O Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias do Nordeste Setentrional exigirá na sua totalidade um investimento na ordem de R$ 6,5 bilhões, assim distribuídos:
 
Integração da Bacia do São Francisco
Valor (R$ milhões)
Integração da Bacia – Eixo LESTE
1.580,00
Integração da Bacia – Eixo NORTE
3.400,00
Integração nas Bacias Receptoras
1.352,00
Ações Ambientais e de Gestão
226,00
TOTAL
6.558,00
Fonte: Ministério da Integração Nacional.
Previsão de Investimentos em Infra Estrutura Hídrica 2007/2010.
 
No próximo post da série, o de número II serão abordados os aspectos relacionados com as fontes de recursos para execução do Projeto.

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