BLOG DO LEONIDES

Biocombustível e Biodiesel

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

No campo internacional discute-se intensamente a produção e a utilização de biocombustível e do biodiesel, às vezes de forma irracional, com argumentos emocionais, quando o assunto pela sua importância exige discussões técnicas, porque indiscutivelmente não se pode ficar na dependência de um tipo de combustível – o Petróleo, que como se sabe tende a desaparecer no tempo e, consequentemente, há necessidade urgente de identificar alternativas para a matriz energética mundial.

 

O Brasil, no caso do biocombustível, tem uma ampla experiência, a partir do Programa Brasileiro de Álcool (PROÁLCOOL), instituído na década de 80 e que já produz etanol em quantitativos equivalentes à produção de gasolina, ou seja, superiores a 20 milhões m3. Pode-se até afirmar, que o PROÁLCOOL foi um programa excludente em termos sociais, porque sua implantação foi concentradora de terra e renda. O fato é que o Brasil acumulou experiência e desenvolveu tecnologias que permitem a produção do etanol em termos competitivos.

 

Quanto ao biodiesel a experiência brasileira concentra-se na Petróleo Brasileiro S.A. (PETROBRÁS), pois a empresa preocupada em identificar novas alternativas energéticas, considerando que o combustível fóssil é finito, iniciou um programa no campo do Biodiesel, com base no Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), que em 13/01/2005, foi instituído pela Lei 11.097, que dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira.

 

Discussão internacional emocional

 

Instituições internacionais e estrangeiras, preocupadas com a ameaça da inflação mundial que apresenta tendência de crescimento, face ao excesso de demanda sobre a produção de alimentos, entendem que a produção de biodiesel é uma grande ameaça para a produção de alimentos, considerando que a matéria-prima desse produto é basicamente grãos, de alto consumo internacional. Ademais, outros defendem posições contra o Biodiesel alegando que um Programa dessa natureza tende a provocar danos irrecuperáveis a natureza, fato que parece superficial quando se aprofunda tecnicamente a análise.

 

Como se sabe, a produção de biodiesel advirá da mamona, algodão, soja, girassol e dendê, além de outras oleaginosas, já devidamente estudadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). Ressalte-se que a produção de óleo vegetal, dessas oleaginosas, varia entre 45% a 55%, ou seja, em 1 kg de semente de algodão, por exemplo, pode-se extrair até 0,5 kg de óleo, o que é um elevado índice. Ademais, é importante destacar, que ao lado da extração de óleo existe a produção de gorduras e o subproduto, que é a Torta, é utilizado como ração animal.

 

A PETROBRÁS

 

A PETROBRÁS visando identificar novas alternativas para o crescimento da empresa atribuiu prioridade ao Programa do Biodiesel, mesmo porque o Brasil importa esse produto em montante equivalente a 900 mil m3. Vale lembrar, que o PNPB determina que a partir de janeiro de 2008, todos os vendedores de diesel deverão adicionar 2% de biodiesel nas suas comercializações, enquanto esse percentual sobe para 3% em julho, também de 2008, devendo alcançar 5%, até 2013.

 

O Brasil leva grande vantagem na produção e distribuição de biodiesel, porque possui terras, tecnologia e uma ampla infra-estrutura de distribuição pertencente à PETROBRÁS o que, sem dúvida, facilitará a implantação do Programa.

 

O Programa de Biodiesel, cujo mecanismo operacional está centrado em uma Comissão Executiva integrada por 15 membros, coordenados pela Casa Civil da Presidência da República, mecanismo operacional esse que conta com um Grupo Gestor com igual número de integrantes, entretanto coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, já concedeu autorização para várias empresas atuarem na área de pesquisa e produção de biodiesel. A PRETROBRÁS com base na sua ampla experiência de pesquisa e produção de combustíveis, pioneiramente definiu um programa operacional e partiu para a sua execução. Foram iniciadas a construção de 3 (três) usinas, sendo uma em Montes Claros, Minas Gerais, uma segunda em Candeias na Bahia e uma terceira em Quixadá no Ceará, para a produção de biodiesel a partir de oleaginosas usando a produção agrícola familiar, e gerando 70 mil empregos no campo.

 

A PETROBRÁS foi cuidadosa na definição do seu programa, porque centrou o seu projeto em três pilares: inclusão social, meio ambiente e rentabilidade econômica. As usinas encontram-se na fase de construção e a empresa brasileira de petróleo está assinando contrato com as famílias, nos quais constam as exigências ligadas à inclusão social, meio ambiente e manutenção de atividades visando à produção de alimentos. Destaque-se que no processo produtivo identifica-se a produção das oleaginosas, o esmagamento para a retirada do óleo e a industrialização para a produção do biocombustível. O esmagamento das oleaginosas deverá ocorrer em mini-usinas, enquanto a produção do biocombustível estará centrada nas usinas de Montes Claros, Candeias e Quixadá.

 

Posição do Brasil

 

O Brasil que vem assustando vários países com a sua capacidade de produção de etanol deverá assumir, também, liderança na produção de biodiesel, porque dispõem de tecnologia gerada pela EMBRAPA, terras em quantidade que permitirão a produção de biocombustível e biodiesel, sem prejuízos para a produção de alimentos, e vem adotando políticas e decisões para resguardar o meio ambiente.


Email | Comentários (0)












Voltar
Endereço: Rua Leonardo Bezerra Cavalcante
672 - Recife - PE CEP: 52060-030 | Fone: (81) 3268-9644 / 3441-9478

© 2012 INAD. All Rights Reserved
Website desenvolvido pela Unu Soluções