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DESVALORIZAÇÃO DO DÓLAR PODE GERAR UMA CRISE MUNDIAL

Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

 

A constante desvalorização do dólar em relação a moedas de vários países poderá gerar uma crise econômica internacional, considerando que os produtos exportados ficam mais baratos, em decorrência da valorização das moedas de países que apresentam estabilidade econômica.

 

Por outro lado, as economias que tem suas moedas valorizadas apresentam dificuldades, porque os seus respectivos setores exportadores, passam a ter prejuízos sucessivos considerando que ao exportarem os seus produtos receberão uma menor quantidade de recursos em moeda nacional.

 

O entendimento do assunto exigirá que se conheça a sistemática de exportação versus importação, para se ter uma idBlogéia concreta do que efetivamente ocorre.

 

Um exemplo torna-se importante. Quando uma empresa exporta um produto que vale 10 dólares e um dólar custa 2 reais, a empresa receberá 20 reais pela sua exportação. Caso o dólar esteja valendo apenas 1 real e sessenta centavos a empresa receberá, apenas, 16 reais, ou seja, terá uma redução de 4 reais. No exemplo, se o custo de produção tiver sido de 18 reais, a empresa estará tendo um prejuízo de 2 reais.

 

Os importadores estarão ganhando com a desvalorização, porque se o dólar vale 2 reais, em uma importação de 10 dólares a empresa terá de pagar 20 reais, enquanto se o dólar vale 1 real e sessenta centavos, o importador pagará, apenas, 16 reais pela importação, consequentemente, estará ganhando dinheiro com a desvalorização do dólar.

 

No caso brasileiro a situação é agravada, porque o País apresenta elevadas taxas de juros, sendo, consequentemente, uma economia que atrai investimentos estrangeiros, pelos rendimentos que assegura, quadro esse que é reforçado pela estabilidade econômica e política do Brasil. Os investidores fogem de países como os Estados Unidos e Japão, cujos juros pagos pelos respectivos governos, variam entre 0,5 e zero por cento, enquanto o Brasil assegura juros de 10,25% ao ano. Entrada de montantes crescentes de dólares agrava o quadro por provocar redução na cotação do dólar, em virtude do excesso da oferta de moeda estrangeira.

 

Repercussões Negativas Sobre Setor Exportador

 

As autoridades brasileiras procuram adotar políticas visando impedir a entrada de capitais estrangeiros, principalmente, sob a forma especulativa, ou seja, as aplicações voltadas para ganhos decorrentes das altas taxas de juros. As políticas não têm alcançado os objetivos pretendidos, porque o diferencial das taxas de juros entre o Brasil e outros países é extremamente elevado.

 

Em situações dessa natureza, quando é possível quedas bruscas nas taxas de juros, com repercussões no aumento da inflação, a alternativa macroeconômica seria concentrar investimentos em áreas estratégicas voltadas para o exterior, como por exemplo, calçados e confecções, visando aumentar a produtividade, o que provocaria redução dos custos, por unidades produzidas e, em consequência, seria criada melhores condições para competitividade internacional. O BNDES tem condições de criar linhas de crédito com juros adequados, carência e prazos de amortização compatíveis com um programa dessa natureza.

 

O Governo estaria promovendo investimentos visando o aumento da capacidade produtiva do País, gerando aumento da oferta de bens e serviços, contribuindo assim, para o estabelecimento de políticas objetivando a redução das taxas de juros sem riscos de aumentar o processo inflacionário.

 

Aspectos Positivos da Desvalorização do Dólar no Setor Importador

 

Na verdade, ao lado dos aspectos negativos da desvalorização do dólar para o setor exportador, com possíveis reflexos negativos sobre a balança comercial, ressalte-se que a situação é favorável a importação de máquinas, equipamentos, tecnologias e know how, considerando que esses segmentos estarão bem mais baratos no campo internacional. Poder-se-ia instituir um programa especial de modernização da economia brasileira, objetivando reduzir os custos de produção, com consequente diminuição dos custos unitários, fato que propiciaria uma efetiva competitividade internacional e melhores preços internos, sem riscos inflacionários, o que permitiria redução das taxas de juros.

 

As análises realizadas evidenciam a complexidade do assunto, entretanto, as alternativas admitidas como soluções evidenciam que existem instrumentos que poderão ser adotados com amplas possibilidades de sucesso.


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